quinta-feira, 19 de abril de 2012

Placar


Volto meu relógio no tempo, época de calça curta, dos gibis, do futebol de botão. Como escrevia meu Pai em seus relatórios, tempo bom...
O menino Cacaio, aguardava ansiosamente a terça-feira chegar, era o dia em que a Revista Placar chegava à cidade de Itabira/MG.
Era a principal Revista de esporte do País, um sucesso de vendas. O garoto gostava de todas as matérias, mas com um olhar especial sobre a loteria esportiva, a bola de prata e o encarte com as fotos dos times campeões.  Ele até decorava as escalações das equipes, devido a constante presença da Placar na sua casa.
Com publicação semanal e veiculação nacional, a Placar teve sua primeira edição em março/70, um pouco antes da Copa do México. Logicamente com o Rei Pelé na capa.

Era o dia amanhecer e correr na livraria ou na “banca” como era carinhosamente chamada pelo Sr. Sanfona, ao adentrar o estabelecimento a alegria daquele menino era imensa diante daquela Revista, com sua capa colorida estampada por todos os lados. Depois de muito ensaiar a frase em casa, ele gostava de chegar junto da atendente e dizer: “Meu Pai mandou buscar a Placar e um gibi”, dizer isso em alto e bom som na "banca" dava certo poder ao Cacaio, para ele era como se fosse uma carta de alforria, se sentia um adulto emancipado.

Era questão de minutos folhear o exemplar ali mesmo, até que se chegasse em casa e a degustasse com calma, e lá chegando tudo a sua volta parava, era como se não existisse mais nada no mundo, era ele e a Placar... só os dois e mais nada. Ali naquelas páginas de futebol o menino criava asas, se imaginava um craque como seus ídolos. A fantasia e a alegria se misturavam, e o Cacaio ia para alguma galáxia bem distante, no cometa da felicidade.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Adeus

 

                                          Adeus,
                                   palavra amarga
                                   pensa-se em despedida,
                                   apenas pensa

                                   tudo continua

                                   adeus,
                                   palavra excluída
                                   do cosmos

                                   indo a algures 
                                   pensa-se no fim,
                                   apenas pensa

                                   tudo recomeça

                                   adeus,
                                   palavra que vaga
                                   junto aos incrédulos.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Expectativas




Expectativas

nenhuma certeza
de nada
 
convicção irreal
esperas infundadas

perspectivas
que se frustram

anseios 
que se decepcionam

expectativas

um exigir sem medidas
do limite humano.

sábado, 17 de março de 2012

A Mulher do Vestido Florido

Em tempos de uma erotização sem medidas, percebe-se uma banalização total de algumas mulheres em relação ao universo feminino e sua sexualidade. Almejando ser famosas ou virar modelo a todo custo, elas perdem a noção de valores, e caem numa vulgaridade ridícula. Entendo isso como múltiplas carências. 

Mas felizmente contrastando com isso, nas avenidas da capital mineira me aparece A Mulher do Vestido Florido, com sua beleza e leveza. Com poses bem comportadas, com postura de mulher madura, ela instiga qualquer mortal com sua sensualidade sutil e natural. 
Seu caminhar pelo meu tempo é charme, é malícia, é um crescer da paixão. 
A Mulher do Vestido Florido é simplesmente linda!

quinta-feira, 15 de março de 2012

A Boa Notícia

É surpresa agradável que invade o íntimo, é emoção que não se controla. A boa notícia renova as esperanças, lava a alma como um mergulho no mar. 

Sempre bem vinda, amiga de qualquer hora, ela é recompensa do esforço próprio. Receber a boa notícia é a explosão em êxtase, quebrando qualquer protocolo de uma comemoração bem comportada.

terça-feira, 13 de março de 2012

Blues


Toca o blues

no salão
no coração

toca o blues

aquece a imaginação
esquece a lamentação

toca o blues

noite chuvosa
intervalo com prosa

toca o blues

com emoção
com paixão

toca o blues.


terça-feira, 6 de março de 2012

Dores de Ontem

Queimão me querendo
elas me acham o melhor, 
o dinheiro acabou,
já não sou mais o melhor
a carne queima só...
     

Pares de motos ao fim do túnel,
à procura de emoções, oh ilusão.

Ando em ruas solitárias
procurando as chaves
perdidas na madrugada
junto aos falsos amigos.